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Resumo Executivo ABSOLAR Meeting Centro-Oeste 2026

Abertura

A cerimônia de abertura destacou o protagonismo da região Centro-Oeste no avanço da energia solar fotovoltaica no Brasil, evidenciando seu papel na atração de mais de R$ 32 bilhões em investimentos, geração de mais de 228 mil empregos e instalação de cerca de 7,6 GW de capacidade. O momento inicial reforçou como a fonte solar tem se consolidado como vetor estratégico para o desenvolvimento econômico, a segurança energética e a democratização do acesso à energia no país.

Ronaldo Koloszuk, Presidente da ABSOLAR, celebrou o reconhecimento internacional da associação como a segunda melhor entidade solar do mundo, destacando o protagonismo brasileiro no setor. Ressaltou a democratização da energia solar, que deixou de ser restrita a grandes consumidores e passou a alcançar pequenos negócios e comunidades, funcionando como instrumento de distribuição de renda.

Ronaldo Koloszuk, Presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, celebrou o reconhecimento internacional da associação como a segunda principal entidade do setor solar no mundo, destacando o protagonismo do Brasil nesse segmento. Ressaltou, ainda, o processo de democratização da energia solar, que deixou de ser uma solução restrita a grandes consumidores para alcançar pequenos negócios e comunidades, consolidando-se também como importante instrumento de distribuição de renda.

 Fernando Colli Munhoz, Secretário-Executivo Adjunto do Ministério de Minas e Energia – MME, apresentou a evolução da matriz elétrica brasileira desde o Acordo de Paris, destacando o avanço das renováveis de 74% para 89% até o final de 2024. Enfatizou o crescimento exponencial da fonte solar, que saltou de poucos megawatts para cerca de 45 GW e milhões de unidades consumidoras. Alertou, no entanto, para desafios operacionais decorrentes do excesso de geração diurna, reforçando a necessidade de armazenamento por baterias e convidando o setor a contribuir com o planejamento energético nacional por meio do Plano Decenal de Expansão até 2035.

 Diná Ferraz, Diretora Técnica do Sebrae, enfatizou o papel do Sebrae no apoio às micro e pequenas empresas do setor solar, que representam a maior parte do mercado. Destacou a necessidade de suporte em gestão, consultoria e marketing para garantir a sustentabilidade dos negócios, além de reforçar a importância da energia limpa para a viabilidade econômica de atividades urbanas e rurais, especialmente em contextos em que a falta de energia pode gerar perdas significativas.

 Rodrigo Sauaia (Presidente Executivo da ABSOLAR) finalizou a cerimônia de abertura apresentando um panorama abrangente do setor, destacando que a energia solar já atraiu mais de R$ 288 bilhões em investimentos e gerou cerca de 1,9 milhão de empregos no Brasil, além de evitar mais de 105 milhões de toneladas de CO₂. No Centro-Oeste, ressaltou os impactos positivos em geração de empregos, arrecadação e expansão da capacidade instalada. Defendeu a atuação institucional da ABSOLAR contra medidas que poderiam onerar o setor, criticou a concentração de subsídios em combustíveis fósseis e apontou como prioridades estratégicas a regulamentação do mercado de carbono, o avanço do armazenamento de energia e a inserção da solar em programas habitacionais. Também destacou a relevância das eleições de 2026 para consolidar a pauta da transição energética no país.

Rodrigo Sauaia, Presidente Executivo da ABSOLAR, encerrou a cerimônia de abertura com a apresentação de um panorama abrangente do setor. Destacou que a energia solar já atraiu mais de R$ 288 bilhões em investimentos no Brasil, gerou cerca de 1,9 milhão de empregos e evitou a emissão de mais de 105 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂).

No Centro-Oeste, ressaltou os impactos positivos da fonte sobre a geração de empregos, a arrecadação e a expansão da capacidade instalada. Defendeu, ainda, a atuação institucional da ABSOLAR diante de medidas que possam onerar o setor, criticou a concentração de subsídios destinados aos combustíveis fósseis e apontou como prioridades estratégicas a regulamentação do mercado de carbono, o avanço do armazenamento de energia e a inserção da energia solar em programas habitacionais.

Por fim, enfatizou a relevância das eleições de 2026 para a consolidação da agenda de transição energética no país.

PAINEL 1 - Oportunidades de negócios no AGRO e C&I

O painel foi introduzido com uma breve fala do Deputado Federal Júlio Lopes (PP), que destacou o forte interesse do Ministério de Minas e Energia na agenda de transição energética e no avanço das fontes renováveis no país. Em sua abertura, ressaltou o papel estratégico das baterias, apontando que essa tecnologia será fundamental para garantir maior longevidade e estabilidade não apenas ao sistema elétrico, mas também aos modelos de negócio. Por fim, enfatizou que a transição energética deve ocorrer de forma equilibrada, preservando a segurança jurídica e o respeito aos contratos já estabelecidos.

Francisco Maiello, Coordenador Estadual da ABSOLAR em Goiás, destacou as oportunidades crescentes para a geração distribuída no agronegócio, especialmente em regiões com limitações de rede. Enfatizou o papel da energia solar associada a baterias como solução para garantir previsibilidade energética ao produtor rural, além de abrir espaço para novos modelos de negócio, como sistemas híbridos e microrredes. Também apontou que a interiorização da geração cria um ambiente favorável para integradores e investidores, principalmente em estados com forte vocação agrícola.

Maciel Silva, Diretor Técnico Adjunto da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, trouxe a dimensão estrutural do agro, ressaltando sua relevância econômica — representando 24,4% do PIB e mais de 28 milhões de empregos — e os gargalos energéticos que limitam sua expansão. Destacou o déficit de cerca de 2 GW para irrigação e o peso da energia no custo de produção, que pode chegar a 40%. Criticou a lentidão da infraestrutura e da regulação frente à evolução tecnológica do campo, apontando que produtores estão buscando autonomia por meio de soluções como solar, biogás e armazenamento para mitigar riscos de qualidade e custo da energia.

Ricardo Bezamat, Consultor de Energia da Confederação Nacional do Comércio – CNC, abordou o setor de comércio e serviços, caracterizado por milhões de pequenas empresas com baixa maturidade em gestão energética. Destacou investimentos robustos em geração solar por parte de entidades como CNC e SESC, combinados com estratégias de eficiência energética — que chegaram a reduzir em até 40% o consumo em algumas unidades. Defendeu que o maior ganho inicial está na redução de desperdícios (“tampar o balde furado”) e alertou para riscos regulatórios, como a imposição da tarifa branca, que pode elevar custos e comprometer a viabilidade de projetos, especialmente para consumidores sem acesso a baterias.

PAINEL 2 - Inovação e Mercado: Baterias e Mobilidade Elétrica

Rodrigo Pedroso abriu o painel destacando a importância da integração entre energia solar, armazenamento e mobilidade elétrica para o avanço da transição energética no Brasil. Ressaltou que, embora o setor tenha evoluído significativamente desde o início da expansão da energia solar no país, o mercado de armazenamento ainda está em estágio inicial e possui grande potencial de crescimento.

Wanderley Freschi, Gerente Comercial de BESS C&I, falou sobre diferentes soluções de energia e armazenamento que vêm sendo estruturadas para atender diferentes perfis de consumidores (como comércio, indústria e agronegócio) com foco em ampliar a eficiência e a segurança energética. Entre os benefícios citados estão a estabilização da rede, o suporte à frequência e a garantia de fornecimento contínuo, reduzindo riscos operacionais e impactos de eventuais falhas no planejamento ou na operação do sistema. Wanderley Freschi, destacou ainda  que o desafio agora é avançar na construção de modelos de negócio que viabilizem a adoção dessas soluções em larga escala no país.

Leandro Vicente, Diretor Comercial da Aldo, ressaltou que o armazenamento tende a ganhar cada vez mais espaço no mercado brasileiro até 2030, impulsionado pela necessidade de maior confiabilidade energética, novas aplicações para consumidores comerciais e industriais e pela evolução regulatória. Segundo o painelista, além da tecnologia, será fundamental ampliar o conhecimento do mercado e fortalecer o papel dos integradores e empresas que atuam diretamente com o consumidor final para viabilizar a adoção dessas soluções.

Victor Soares, Head of LATAM Technical Team da JA SOLAR, relatou que  os clientes do mercado C&I raramente compram apenas energia, o foco principal é a aquisição de economia na conta e segurança operacional. Relatou que os Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias entregam esse valor por meio da gestão energética com previsibilidade, da proteção contra falhas e da redução de perdas por paradas.  Victor apresentou que as maiores oportunidades de receita para essas aplicações globais incluem o Peak Shaving (redução da demanda de pico na rede, representando ~22% da receita), a Arbitragem Tarifária (comprar energia quando o preço é baixo e usar quando é alto, representando de 15 a 20%), e a integração direta com a geração solar para maximizar o autoconsumo local.

Matheus Freire, Gerente de Vendas da TOPBAND, abordou a evolução regulatória do setor, desde o crescimento acelerado impulsionado pela REN 482/2012, passando pela adaptação após o Lei 14.300/2022, até as novas oportunidades trazidas pela REN 1098/2024, que ampliam possibilidades para soluções como sistemas grid-zero, processos simplificados de conexão e integração com baterias. Matheus apresentou diferentes arranjos técnicos de armazenamento capazes de mitigar problemas de inversão de fluxo e aumentar o valor dos projetos, como sistemas zero grid, soluções de peak shaving combinadas com controle de exportação para consumidores comerciais e industriais, e aplicações em microrredes isoladas voltadas à autonomia energética e resiliência operacional.

Palavras de Pedro Uczai

Deputado Pedro Uczai, destacou a importância da geração distribuída e da energia solar para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. O parlamentar ressaltou que, apesar dos desafios enfrentados pelo setor energético, a necessidade crescente de energia deve ser vista como uma oportunidade para o Brasil ampliar investimentos em fontes renováveis e fortalecer a geração distribuída. Segundo ele, a expansão da microgeração solar tem potencial para impulsionar o desenvolvimento regional, gerar empregos e ampliar o acesso à energia limpa.

Uczai também chamou atenção para entraves econômicos que ainda afetam o setor produtivo no país, como o alto custo do crédito e as taxas de juros elevadas, apontando que esses fatores dificultam investimentos em inovação e infraestrutura energética. Para o deputado, o Brasil reúne condições naturais e tecnológicas para se tornar protagonista global na transição energética, desde que haja políticas públicas e condições financeiras adequadas para impulsionar o setor.

Palestra Magna - Regulação em Foco: Armazenamento, Tarifas e Conexão

Fernando Mosna, Mosna apresentou o avanço do debate regulatório sobre armazenamento, com destaque para a Consulta Pública nº 39/2023, que busca estruturar as bases para a integração dos sistemas de baterias ao setor elétrico. A consulta trata da definição do armazenamento como recurso energético, das modalidades de operação — autônoma, associada ou colocalizada —, das regras de remuneração e das condições de acesso à rede.

No que se refere às tarifas de uso da rede (TUST/TUSD), o diretor falou sobre seu voto divergente à proposta inicial de dupla tarifação (cobrança tanto no carregamento quanto na descarga das baterias) defendendo que a cobrança ocorra apenas na injeção de energia na rede, de forma a evitar distorções econômicas e manter a viabilidade dos projetos de armazenamento.

Mosna também destacou que a evolução regulatória recente reconhece, por meio da Lei 15.269/2025, o armazenamento como um agente próprio dentro do setor elétrico, podendo atuar de forma autônoma ou associado a empreendimentos de geração. Esse reconhecimento abre novas possibilidades de negócios e modelos operacionais, permitindo que sistemas de armazenamento participem de diferentes atividades no mercado elétrico.

Palestra Magna - Regulação em Foco: Armazenamento, Tarifas e Conexão

Nesse ano, o ABSOLAR Meeting Centro-Oeste teve um momento de perguntas e respostas com o diretor da ANEEL, Fernando Mosna, o diretor da ANEEL foi questionado sobre a evolução da governança do sistema elétrico diante do avanço da geração distribuída e da digitalização das redes, em especial sobre o modelo de Distribution System Operator (DSO) no Brasil. Em resposta, Mosna indicou que, em um primeiro momento e de forma transitória, a tendência é que a função de DSO permaneça com as próprias distribuidoras, utilizando a estrutura já existente. Contudo, ele alertou para o claro conflito de interesses caso essa atribuição seja permanente, pois a distribuidora poderia favorecer partes relacionadas em momentos de decisão sobre potenciais cortes na geração de energia. Enquanto o setor amadurece a discussão institucional sobre o tema, ele defendeu fortemente que o desenho futuro seja testado e embasado no uso de sandboxes regulatórios. Sobre os cortes excepcionais na GD, Mosna explicou que eles foram autorizados apenas em situações de risco iminente de colapso sistêmico, servindo como uma medida de proteção à rede, sem caber ressarcimento financeiro.

A conversa também se aprofundou na necessidade de evolução dos sinais tarifários para consumidores de baixa tensão, incluindo o papel da Tarifa Branca. O diretor destacou que há espaço para modernizar a estrutura de tarifação, especialmente para refletir melhor os sinais horários de consumo de forma mais dinâmica que os modelos atuais, mas ressaltou que esse processo deve ocorrer de forma gradual e baseada em evidências. Segundo ele, é necessário aprofundar os estudos sobre os impactos para os consumidores e para o sistema elétrico, inclusive por meio de projetos-piloto e diversos sandboxes regulatórios (como os já existentes para veículos elétricos e tarifas horo sazonais). Mosna pontuou que os próximos passos dependerão de resultados consolidados do trabalho técnico da agência após o fim de consultas públicas, embora a modernização dependa, em última instância, de uma ampla digitalização para que eletrodomésticos respondam automaticamente a esses sinais de preço.

Por fim, foi trazido à tona a pesada burocracia enfrentada pelos “órfãos da geração distribuída”, relatando a ineficiência no atendimento das concessionárias e a necessidade de refazer reclamações repetidas vezes na Ouvidoria para obter respostas corretas. Reconhecendo a “agonia diária” que chega ao seu e-mail funcional, Mosna admitiu que as empresas muitas vezes tratam as sanções como custo internalizado. Diante disso, ele propõe uma reorientação na postura de fiscalização da ANEEL, reduzindo a aplicação de “Planos de Resultados” brandos — especialmente para concessionárias pleiteando renovações de 30 anos — e implementando campanhas de fiscalização mais duras, focadas e transparentes, intensificando o uso do poder de polícia por meio das agências reguladoras estaduais conveniadas. O evento foi encerrado com agradecimentos pela rara disposição e transparência do diretor em debater abertamente com o setor.